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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Escritores na Cozinha com... Luís Ferreira


Pimentos Padrón

Confecção: Cerca de 5 minutos

Dificuldade: Fácil


Ingredientes:

1 saco/embalagem de pimentos Padrón (de preferência originais pois são os melhores), 
Azeite
Sal qb

Preparação:

Numa frigideira, cobrir o fundo com azeite, atenção que basta só cobrir, colocar ao lume de forma, a que aqueça até o azeite ficar quente.
Quando estiver bem quente, mas sem ferver, colocar os pimentos inteiros e com o pé até cobrir a totalidade do fundo da frigideira e começar a pressionar os pimentos com uma espátula (é preciso ter cuidado pois muitas vezes o azeite salta, portanto aconselho a utilizar uma tampa para se proteger, e diminuir o lume).
Ir virando os pimentos ligeiramente quando estes começam a ter bolhas na pele, repetir a operação de os pressionar com uma espátula.
Alerto que se querem cozinhados, mas não queimados, por isso é necessário prestar atenção a este processo. Por norma passados 5-6 minutos estão prontos.
Retirar os pimentos para um prato, polvilhar com sal grosso qb e servir ainda quentes.

Acompanhar de preferência com vinho, serve de petisco ou de entrada para uma refeição.


PS: Uma nota final, não tirar os pés aos pimentos pois dão jeito para se poder comer à mão.


Entre o silêncio das pedras

Quando Pedro Marques, um brilhante escritor, perde o amor da sua vida num trágico acidente de viação utiliza a bebida como companhia e afasta-se de tudo e de todos, afundando-se por completo num mundo de trevas e tornando os seus dias sombrios. Entretanto, um velho livro chega-lhe às mãos e com ele decide iniciar o caminho de Santiago, uma viagem que irá mudar completamente a sua vida e que o levará à descoberta da sua própria natureza.

sábado, 5 de outubro de 2013

Batata doce assada

Receita rápida e fácil. Uma delícia para quem, como eu, gosta muito de batata doce!

Descascam-se e lavam-se as batatas doces. Cortam-se às rodelas. Dispoēm-se num tabuleiro untado com manteiga. Polvilha-se com açúcar e colocam-se por cima algumas nozes de manteiga. Vai ao forno até assarem, agitando o tabuleiro de vez em quando.

Ficam assim...

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Escritores na Cozinha com... Sónia Cravo

Galo assado no forno

Ingredientes:

  • Galo caseiro
  • Batatas pequenas
  • Azeite
  • Salsa
  • Folhas de louro – 2
  • Dentes de alho – 4
  • Cebola grande – 1
  • Pimento – 1
  • Cerveja pequena – 1


Preparação: 
Colocar o galo na assadeira, cortado em pedaços de tamanho médio, e temperar com sal, azeite, louro, alho, cebola, salsa, um pimento e cerveja. Deixar a marinar para o dia seguinte. Antes de levar ao forno, acrescentar as batatas e tapar a assadeira com papel de alumínio. Ao fim de 2 horas, retirar a prata e deixar alourar durante cerca de 20 minutos. Vai à mesa aos domingos, sempre na companhia de um bom vinho. 



As coisas são há um ror de tempo, perfeitas e imperfeitas, boas e más, são antes e depois, presentes futuros há um ror de tempo. Eu sou o presente que existe em mim, por detrás dos outros, da chuva fria e da chuva quente, da macieira, do silêncio, das leis, das coisas que são vida e que são mortas, da pontinha de beleza do céu que há em mim, das pedras, dos engates, dos amores inteiros, dos sonhos, da boca à espera de pão, da louça lavada e da louça por lavar. Sou lá fora e sou aqui, por detrás da porta fechada com três voltas de chave. E depois penso, mas não como pensava antes, já não há fel nem
vinagre nestes pensamentos, apenas essa consciência louca de que o tempo das interrogações é um tempo sem candura. Aqui, paredes meias com vizinhos, impõem-se-me a noite, mas tudo guincha, guincha e dissolve-se. Eu fecho as pálpebras. Abre-te, Sésamo! É mais um pouco daquilo que chega para de assombro despertar. Agora a minha cabeça fica maior e, nesses instantes, odeio o mundo todo, menos os meus. Mas se me vem à memória uma criança mal alimentada, choro. E volto a odiar o mundo todo, menos os meus e aquela criança. E se penso na vizinha doente, curvada nas escadas, o olhar trágico do marido, a dor deles vem deitar-se ao meu lado, e volto a odiar o mundo todo, menos os meus, a criança, a minha vizinha e o marido da minha vizinha. E é então que a minha cabeça volta a ficar pequena, como se todas as questões do mundo fossem uma espécie de penitência absurda que não me deixa ser para além deste pardieiro. Às vezes, é certo, vem à tona um tempo plano, líquido como a alma que não se vê, e aí sou capaz de me achar longe do mundo. E aí, à falta do mundo, escrevo. Escrevo por tudo isto e por outras razões que não consigo explicar, neste pequeno canto da cozinha onde encaixei uma mesa. A janela sempre fechada.

Sónia Cravo

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Experiências na Cozinha: "Comeres de África"

Há tantas receitas neste livro que quero fazer! Sei bem que as minhas raízes estão em Africa e alguns pratos fazem renascer em mim memórias de uma infância muito feliz. Talvez por isso, quando folheio as páginas desta obra, há sempre mais uma marca que coloco para, mais tarde, fazer a receita.

Para ser perfeito faltam mais fotos no livro, porque primeiro comem os olhos, depois a boca...

Deixo-vos com um cheirinho de um prato Moçambicano, fácil de fazer e muito gostoso: o Frango Apimentado!



E aqui vai a receita que alterei um pouco para a Bimby. Mas pode ser feita sem ela. Basta ter uma varinha mágica ou outro qualquer electrodoméstico para moer muito bem...

Bati na Bimby 10 dentes de alho, 3 pimentos-malagueta (coloquei 1 pimento vermelho), sumo de 3 limões, azeite a gosto, pimenta e sal q.b.

Deita-se este molho sobre uma embalagem de peitos de frango e vai ao forno! Acompanhei com arroz branco.

Querem mais fácil que isto? Para sobremesa fiz batata doce assada (receita Angolana) que postarei mais tarde.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Escritores na cozinha com... Júlio Borges Pereira

Quando a Cris me convidou a “entrar na cozinha” já sabia (eu) que a ideia não ia dar bom resultado. Juntavam-se para mim dois dramas – um, o de ter um livro publicado e, o outro, o facto de ser engenheiro ( daqueles cursos antigos… ) Demorei… demorei… demorei… até que um dia me lembrei que poderia recorrer a uma pessoa amiga que vive no Brasil e que um dia me convidou a “pilotar o fogão” numa churrasqueira bem ao nível do chão. Fiquei muito atrapalhado. Estava a dar uma música do Zeca Pagodinho que parecia até (ele) que estava a gozar comigo. Resolvi por isso chamar a este prato – “Camarão Que Dorme A Onda Leva” – que foi a música que o lançou e que estava a dar nessa altura quando resolvi enfrentar o fogão...



Ingredientes

   

 

 

 

 

 



Preparação


 

 

 

 

 

 

Aspecto final ( 1 ) 
Usar um pouco de coentro em grão e amassar no almofariz ( 2 ). Juntar pimenta do reino a gosto ( 3 ).  Juntar a pimenta árabe e a paprica doce ( 4 ) , tudo a gosto mas em quantidades iguais. Moer tudo no almofariz ( 5 ).
Quanto ao camarão ( 6 ) tem de ser do cinzento, tamanho médio e não pode ser do congelado. Não esquecer de tirar o que lhe pode dar mau gosto – ver detalhe em ( 6 ).
Do camarão aproveita-se tudo. Cabeças, cascas e rabos tudo deve ser posto num recipiente ( 7 ) para depois se fazer um caldo. Entretanto salgar um pouco o camarão ( 8 ), juntar sumo de duas rodelas generosas de abacaxi ( 9 ) que é mais ácido que o limão mas deixa um sabor mais refrescante. Misturar bem o sal e o li mão no camarão ( 9 ) e ajeitar tudo muito bem ( 10 e 11 ). De seguida tapar com um pano ( 12 ) e deixar a marinar por umas 2 horas.


 

 

 

 

 

 

Pegar nas cabeças e em todas as cascas guardadas do camarão e verter para dentro de uma “super panela com coador “ ( 13 ), cheia de água ( 14 ), tapar (15 ) e deixar ferver, ferver, ferver…
Enquanto isso começa-se a fazer o molho que vai servir de tempero ao camarão. Para isso, deitar numa panela larga, esmaltada ( 16 ) um pouco de óleo ( 17 ), juntar duas cebolas de tamanho médio previamente picadas ( 18 ) e juntar uma mação também devidamente cortada em pequeninos pedaços ( 19 e 20 ). 
Deixar refogar ( 21 ) não esquecendo de ir mexendo para não queimar ( 22 ). Sentir o aroma  deste preparado que começa a prometer um camarão bem temperado. Para isso, pegar no almofariz em que foi feita a mistura das pimentas e da paprica e juntar um pouco dessa mistura do almofariz ( 23 ), ao conjunto deste refogado ( 24 ) continuando a mexer por mais alguns instantes.

 

 

 

 

 

 


Desligar o fogo quando o refogado estiver pronto. Este refogado ( 25 e 26 ) é o tempero para o molho.
Para fazer o molho propriamente dito bater no “liquidificador” as rodelas de 6 tomates italianos ( 27 ) até ficarem bem batidos ( 28 ). De seguida desengatar a jarra do suporte e verter ( 29 ) e verter o molho do tomate ( batido)  para dentro da panela em que está o refogado ( 30 ). Reacender o fogo e mexer bem ( 31 ). Poucos instantes depois, juntar e distribuir lentamente um fio de vinho tinto seco na mistura do molho com o refogado. Antes disso baixar o fogo. Este é um dos segredos da receita ( 32, 33, 34, e 35 ). O vinho tem que ser seco. Não pode ser adocicado.
De seguida levantar e baixar o fogo durante uma hora, intervalando a subida e a descida do fogo de quarto em quarto de hora e sempre que o fogo estiver alto  nunca deixar de mexer para não queimar e manter um bom aspecto ( 36 ).
Segundo segredo. Muito importante. Juntar uma pitadinha de açúcar ( 37 ) no molho do refogado ( 38 ) quando ele estiver bem quente, a fervilhar.
Vamos agora voltar à “super panela com coador” com o caldo para o macarrão ( 39 ).

   

 

 

 

 

 

 

 

Depois de quase duas horas de fervura dentro da “super panela”, as cascas e cabeças do camarão já produziram um caldo. Está na hora de tirar a parte do coador e assim retirar todos os restos das cascas e cabeças do camarão ( 40, 41, 42, 43 ) ficando só o caldo ( 44 ). Não esquecer de entretanto e, de vez em quando, ir mexendo o refogado com o molho que está ao lao, ao lume ( 45 e 46 ).
Chegou a hora de tornar a pegar no camarão que estava a marinar no sal e no sumo de abacaxi ( 47 ). Destapar ( 48  e  49 ). Descascar (50 ) e picar ( 51 ) mais um pouquinho de cebola e numa frigideira esmaltada ( 52 ) juntar um pouco de óleo ( 53 ) e deitar nela a cebola picada ( 54 ) para fazer um refogado para o camarão.

 

 

 

 

 

 

 


Mexer bem o refogado para o camarão ( 55 e 56 ). Juntar também um pouco de alho picado ( 57, 58 e 59 ). Em seguida juntar então o camarão ao refogado de óleo , cebola e alho ( 60 ), mexendo lentamente e pouco. O camarão não precisa ser muito mexido. Mexer mas com muito cuidado ( 61, 62 e 63 ), nem convém, para evitar que se comece a desfazer e se comece a estragar o aspecto final. No entanto, com muito cuidado deve ser virado pelo menos uma vez na frigideira.Para aromatizar e dar mais um pouco de gosto juntar pedacinhos de coentro ( 64, 65, 66 e 67 ). Quem não gostar de coentro pode substituir por salsinha. 
Chegou então a hora de juntar o camarão ao molho com tomate que preparámos anteriormente na panela ( 68 e 69 ).

 

 

 

 

 

 

 


Depois de acabar de deitar todo o camarão da frigideira para o molho de tomate preparado ( 70 e 71 ) chegou a hora de tornarmos a destapar a “super panela”  ( 72 )  onde está o caldo de camarão ( 73 ). Para dentro desse caldo fervente vai então meter-se o macarrão ( 74, 75, 76 e 77 ) inteiro. Esse é um detalhe importante – não deve partir-se o macarrão ao meio. Ele cabe inteiro e na vertical na “super panela”. Juntar um pouco de sal ( 78 ).
Mais uma mexida no molho com o camarão ( 79 ) e o macarrão está em pouco tempo pronto para ser retirado da “super panela” ( 80 ) e posto em dois pratos ( dose para duas pessoas ( 81 e 82 ). Sobre o macarrão deitar então, com uma colher ( 83 ), o camarão com o molho, cuidando-se já ( 84 ) do aspecto final.

 

 

 

 

Terminando a receita…
Para completar a apresentação do prato juntar pedaços de queijo “gorgonzola” ( 85 ), ou, em vez dele, e para quem não gostar ( como é o meu caso ) substituir o malfadado queijo por noz moscada.  Acabar a decoração do prato a gosto juntando talvez uma folhas de manjericão fresco. Sugestões em ( 87 e 88 ). No entanto não esquecer que macarrão sem ser acompanhado com um fio de azeite “do bom” não procede. É “fundamental”.
Em ( 90 ), o aspecto final do prato – “Camarão Que Dorme A Onda Leva”, uma homenagem minha ao Zeca Pagodinho que completa agora 50 anos de carreira.
Detalhe importante – este prato dever ser comido com garfo e colher. Deve ainda, se possível, ser cozinhado ao ar livre, e, particularmente se se quer terminar bebendo algo forte não convém que existam desníveis do terreno. Sobre este último ponto não existem imagens disponíveis!


O Último Retornado

O meu encontro “virtual” com a Cris aconteceu pelo facto de lhe ter chamado a atenção numa livraria um livro escrito por mim e em que a “sinopse” referia que eu tinha nascido em Benguela. Benguela, Angola. A terra da Cris.   Este livro tem-me trazido muitas alegrias e palavras que há muito precisava ouvir.
Através dele reencontrei pessoas que cresceram comigo.
Através dele pude revelar uma história que sendo verídica e trágica me levou a aprender muito sobre a vida.
Com os mais velhos encantei-me pelas suas palavras afáveis e regressos emocionantes aos dias que vivemos em África.
Com os mais novos tenho-me surpreendido pela curiosidade que demonstram por este romance que vivi.

Como sempre não posso uma vez mais deixar de te agradecer à Cris este convite. As tuas provas são sempre “Provas de Fogo” e estava a ver que desta vez não ia conseguir superar.
Quero deixar aqui duas coisas – o registo do meu profundo reconhecimento, gratidão e admiração por todas as tuas iniciativas e, em segundo lugar e por último, solidariarizar-me com todos os outros  ( e outras ) participantes deste “Escritores Na Cozinha…” que eventualmente se tenham queimado, ou mesmo aqueles que ainda lutam para sair dos cuidados intensivos. A todos o meu Abraço Angolano Solidário… “Unidos Venceremos”

P.S. – o meu agradecimento à Marilena, uma jovem e talentosa escritora Brasileira de 28 anos de Belo Horizonte, que teve o trabalho de repetir toda a receita fotografando passo a passo todos os detalhes. Recordar também que quando fomos buscar o “digestivo” – uma cachaça artesanal de “Três Pontas”, Minas Gerais e que eu aceitei com sabor a maracujá, me aconteceu um facto estranho. Fomos buscá-la a um apartamento, num 5º andar, a poucos metros da casa em que degustámos o “Camarão”. Na varanda desse apartamento tomei o primeiro gole da taça. No segundo seguinte fiquei com a sensação que se passasse a perna por cima do corrimão da varanda, seria capaz de pôr o pé no chão. No caso, na estrada. Tudo me parecia ao mesmo nível. Tinha até a sensação que seria capaz de sair “andando” por cima das copas das árvores. Foi o único gole que bebi de tal “cachaça”. Logo pousei a taça. Por isso recomendo, mesmo sem fotografias, que no caso de um digestivo forte, convém que além de ser ao livre, esta receita seja efectuada num terreno sem qualquer declive….

Júlio Borges Pereira