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terça-feira, 11 de março de 2014

Escritores na cozinha com... Anabela Borges

BOLO DE CHOCOLATE DA MÃE E DA INÊS
A Inês adora cozinhar, e gosta sobretudo de fazer bolos, de surpresa, para a irmã, a Beatriz.
O nosso bolo de chocolate é muito simples de fazer: utiliza-se como medida uma chávena almoçadeira e bate-se tudo no liquidificador.

Massa
6 ovos
1 chávena de açúcar
1 chávena de leite morno(a)
1 chávena de chocolate em pó Nesquick
2 chávenas de farinha branca de neve
1 colher (sopa) de óleo
1 colher (café) de fermento em pó
4 quadradinhos de chocolate culinário
1 colher (sopa) de manteiga

Cobertura
4 quadradinhos de chocolate culinário
1 colher (sopa) de manteiga

MODO DE PREPARAÇÃO:
Vão-se juntando, lentamente, os ingredientes no liquidificador e vai-se batendo a uma velocidade média, até ficar uma massa consistente e fofa. Para que o bolo não fique demasiado doce e para que ganhe um tom mais escuro, colocam-se os quatro quadradinhos de chocolate culinário numa chávena com uma colher de manteiga e põe-se a derreter no micro-ondas, por 2 minutos; acrescenta-se à massa e bate-se novamente, para ficar bem misturado.
De seguida, coloca-se numa forma redonda, previamente untada com manteiga e polvilhada com farinha.
Vai ao forno a 180ºC, por cerca de 40 minutos, pré-aquecido.
Depois de deixar arrefecer um pouco, desenforma-se o bolo.

Cobertura
Colocam-se os quatro quadradinhos de chocolate culinário numa chávena com uma colher de manteiga e põe-se a derreter no micro-ondas, por 2 minutos. Deita-se esse líquido por cima do bolo. O bolo vai ficar húmido e muito fofo.
Quando eu e a Inês fizemos este bolo, estava uma tarde invernosa de fevereiro. A Beatriz, que estava a estudar para um teste de Geometria Descritiva, cuidou que estava a ter alucinações, com o cheiro inconfundível do bolo a invadir a casa. Ficou muito feliz e achou que tinha o dia ganho. Estudar já nem lhe pareceu uma empresa assim tão inglória. E como é bom viver estes tempos em família!


Até ser Primavera
Primeiro livro da inteira autoria de Anabela Borges, “Até ser Primavera” surge como uma antologia de dez contos onde impera o desespero da condição humana, a dar lugar à esperança na primavera da vida.
Até que ponto as coisas mais simples podem fazer alguém voltar a agarrar-se à vida, ou os mistérios inexplicáveis levam a desistir dela? Como se faz da intriga um modo de vida, ou se vive na cegueira de não ver o que está mesmo à nossa frente? Como justificar um aborto voluntário, ou viver com alguém que te faz a vida num inferno, como aguentar a perda daqueles que mais amamos, ou entender a saudade arrebatadora no fado do amor, como perdoar, ou gerir arrependimentos? São histórias que, há muito, te acordam o sono, te preenchem as memórias e te povoam os dias inquietos, para ler e refletir. Vale a pena acreditar na primavera da vida.
Este livro surge como o resultado da atribuição do prémio melhor conto da coletânea Ocultos Buracos, da Pastelaria Studios Editora, e inclui o conto vencedor.

Anabela Borges

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Escritores na cozinha com... Cristina Drios

É tarde e não há nada pronto?
Não temos o menor jeito para cozinhar e o habilidoso lá de casa ainda não chegou?
Gostamos de comer bem mas não queremos perder a linha?

Eis a receita-maravilha: é fácil e rápida, é deliciosa, é amiga!

Desenvolvida e aprimorada por mim, para mim, com provas dadas.
Diz quem já provou que é uma obra-prima!

CREME DE CURGETES
Ingredientes:


  • 4 curgetes grandes
  • 1 cebola média
  • 2 dentes de alho
  • 1 fio de azeite
  • sal e pimenta preta
  • coentros

Preparação:
Sem as descascar cortar 4 curgetes às rodelas para dentro da panela.
Juntar uma cebola em quartos e os dentes de alho.
Juntar água sem cobrir completamente os legumes (deixar, menos menos, um dedo de legumes fora de água).
Juntar sal.
Quando estiverem cozidos, passar com a varinha mágica até obter um creme macio.
Rectificar o sal.
Juntar pimenta preta moída na altura, um fio de azeite e coentros picados.
Já está! Um maravilhoso creme pronto a servir!

Para um dia de festa: escalfar um ovo ou juntar farripas de parmesão.

Cristina Drios

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Escritores na Cozinha com... Paula de Sousa Lima

Feijoada de atum

Ingredientes
- cebola
- cogumelos (laminados)
- tomate (aos cubos)
- feijão (cozido ou de lata)
- atum (de lata)

Preparação
Refoga-se a cebola, incorpora-se os cogumelos e depois o tomate. Tempera-se com sal, piri-piri e cravinho. Acrescenta-se o feijão e o atum. Não leva mais de 5 a 10 minutos em lume brando.
Acompanha-se com arroz branco.


Mas Deus não dá licença que partamos

Sinopse
A Ilha é um espaço de clausura, e os seus habitantes metáforas da humanidade. Entre o fantástico e o mais cru realismo se vão tecendo vidas que são símbolos da diversidade da vida. O tempo da guerra e da ditadura restringe existências que já de si são restritas, inscrevendo-se num tempo circular que está prestes a consumar-se.
Não é possível escapar ao fado, este que a Viúva do Dono da Ilha não reconhece quando chega o jovem que desposará. O menino nasce com os olhos vazios, marca do castigo. Há outros sinais, que ninguém percebe antes de chegar o tempo determinado. Mas os desígnios trágicos são incontornáveis, o reconhecimento chegará, eles hão-de pagar pelo pecado que não tiveram culpa de cometer.
A Ilha é do mar, o seu destino é recuperá-lo.

Paula de Sousa Lima

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Escritores na Cozinha com... Ana Saragoça

Foto de Mário Pires
Só comecei a cozinhar há cerca de dois anos. Fui criada numa família de excelentes cozinheiras, desde as avós até à minha irmã mais nova. Convenci-me e convenci toda a gente de que não tinha jeito nenhum para a coisa, o que me deu muito mais tempo para o que precisava mesmo de fazer: ler em doses industriais. No casamento calhou-me na rifa um homem amigo de cozinhar, portanto pude continuar a exercer a minha prioridade. 

Com a chegada dos meus filhos, fiz uma descoberta interessante: eu fazia óptimas sopas! Mas continuava a gostar mais de ler…

Quando a vida me despejou no colo o encargo de alimentar a prole, tive dois ou três momentos de pânico, mas recorri aos únicos instrumentos de que me sabia servir: os livros. 

Primeiro descobri que até tinha jeito, mas colava-me como uma lapa às receitas. E não concebia a ideia de preparar uma refeição apenas para mim. Uma sanduíche deglutida enquanto lia bastava-me. 

O prato que lhes apresento já faz parte do meu último estágio nas lides culinárias. Não fui buscá-lo a nenhum livro e só o preparo quando estou sozinha, porque há sempre alguém a quem o esparguete preto ‘parece minhocas’ e, quanto aos meus filhos, a mais nova abomina camarões e o mais velho detesta alhos (realmente, não há crianças perfeitas…). Espero que gostem. 

Spaghetti al Nero di Seppia com Camarão, Alho e Bacon

250g de spaghetti al nero di seppia (esparguete preto, tingido com tinta de choco)
Bastantes dentes de alho (5 ou 6, consoante o tamanho)
100g de bacon em cubos
125g de miolo de camarão congelado
Bastante azeite 
Orégãos
Sal

Piri-piri daquele de fazer suar a testa (opcional)

Cozo a massa em bastante água, com sal e orégãos e um fio de azeite, durante o tempo indicado na embalagem e nem mais um minuto. Depois de cozida, escorro-a de imediato. 

Numa caçarola ou frigideira ampla, aqueço o azeite (bastante, já disse?) e junto-lhe os dentes de alho em lâminas finas. Quando o alho se começa a rir, adiciono o bacon. Quando este se adivinha estaladiço, acrescento o miolo de camarão. Quando este se mostra dourado, junto a massa cozida. Envolvo tudo, mexendo de baixo para cima, corrijo o sal, junto o piri-piri, mexo mais um bocadinho, tapo e levo para a mesa. 

Sirvo cerimoniosamente um copo de Ermelinda Freitas tinto, sento-me, brindo para o écrã da televisão, e janto com o Tony Soprano. 

Ana Saragoça

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Escritores na Cozinha com... Luís Ferreira


Pimentos Padrón

Confecção: Cerca de 5 minutos

Dificuldade: Fácil


Ingredientes:

1 saco/embalagem de pimentos Padrón (de preferência originais pois são os melhores), 
Azeite
Sal qb

Preparação:

Numa frigideira, cobrir o fundo com azeite, atenção que basta só cobrir, colocar ao lume de forma, a que aqueça até o azeite ficar quente.
Quando estiver bem quente, mas sem ferver, colocar os pimentos inteiros e com o pé até cobrir a totalidade do fundo da frigideira e começar a pressionar os pimentos com uma espátula (é preciso ter cuidado pois muitas vezes o azeite salta, portanto aconselho a utilizar uma tampa para se proteger, e diminuir o lume).
Ir virando os pimentos ligeiramente quando estes começam a ter bolhas na pele, repetir a operação de os pressionar com uma espátula.
Alerto que se querem cozinhados, mas não queimados, por isso é necessário prestar atenção a este processo. Por norma passados 5-6 minutos estão prontos.
Retirar os pimentos para um prato, polvilhar com sal grosso qb e servir ainda quentes.

Acompanhar de preferência com vinho, serve de petisco ou de entrada para uma refeição.


PS: Uma nota final, não tirar os pés aos pimentos pois dão jeito para se poder comer à mão.


Entre o silêncio das pedras

Quando Pedro Marques, um brilhante escritor, perde o amor da sua vida num trágico acidente de viação utiliza a bebida como companhia e afasta-se de tudo e de todos, afundando-se por completo num mundo de trevas e tornando os seus dias sombrios. Entretanto, um velho livro chega-lhe às mãos e com ele decide iniciar o caminho de Santiago, uma viagem que irá mudar completamente a sua vida e que o levará à descoberta da sua própria natureza.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Escritores na Cozinha com... Sónia Cravo

Galo assado no forno

Ingredientes:

  • Galo caseiro
  • Batatas pequenas
  • Azeite
  • Salsa
  • Folhas de louro – 2
  • Dentes de alho – 4
  • Cebola grande – 1
  • Pimento – 1
  • Cerveja pequena – 1


Preparação: 
Colocar o galo na assadeira, cortado em pedaços de tamanho médio, e temperar com sal, azeite, louro, alho, cebola, salsa, um pimento e cerveja. Deixar a marinar para o dia seguinte. Antes de levar ao forno, acrescentar as batatas e tapar a assadeira com papel de alumínio. Ao fim de 2 horas, retirar a prata e deixar alourar durante cerca de 20 minutos. Vai à mesa aos domingos, sempre na companhia de um bom vinho. 



As coisas são há um ror de tempo, perfeitas e imperfeitas, boas e más, são antes e depois, presentes futuros há um ror de tempo. Eu sou o presente que existe em mim, por detrás dos outros, da chuva fria e da chuva quente, da macieira, do silêncio, das leis, das coisas que são vida e que são mortas, da pontinha de beleza do céu que há em mim, das pedras, dos engates, dos amores inteiros, dos sonhos, da boca à espera de pão, da louça lavada e da louça por lavar. Sou lá fora e sou aqui, por detrás da porta fechada com três voltas de chave. E depois penso, mas não como pensava antes, já não há fel nem
vinagre nestes pensamentos, apenas essa consciência louca de que o tempo das interrogações é um tempo sem candura. Aqui, paredes meias com vizinhos, impõem-se-me a noite, mas tudo guincha, guincha e dissolve-se. Eu fecho as pálpebras. Abre-te, Sésamo! É mais um pouco daquilo que chega para de assombro despertar. Agora a minha cabeça fica maior e, nesses instantes, odeio o mundo todo, menos os meus. Mas se me vem à memória uma criança mal alimentada, choro. E volto a odiar o mundo todo, menos os meus e aquela criança. E se penso na vizinha doente, curvada nas escadas, o olhar trágico do marido, a dor deles vem deitar-se ao meu lado, e volto a odiar o mundo todo, menos os meus, a criança, a minha vizinha e o marido da minha vizinha. E é então que a minha cabeça volta a ficar pequena, como se todas as questões do mundo fossem uma espécie de penitência absurda que não me deixa ser para além deste pardieiro. Às vezes, é certo, vem à tona um tempo plano, líquido como a alma que não se vê, e aí sou capaz de me achar longe do mundo. E aí, à falta do mundo, escrevo. Escrevo por tudo isto e por outras razões que não consigo explicar, neste pequeno canto da cozinha onde encaixei uma mesa. A janela sempre fechada.

Sónia Cravo

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Escritores na cozinha com... Júlio Borges Pereira

Quando a Cris me convidou a “entrar na cozinha” já sabia (eu) que a ideia não ia dar bom resultado. Juntavam-se para mim dois dramas – um, o de ter um livro publicado e, o outro, o facto de ser engenheiro ( daqueles cursos antigos… ) Demorei… demorei… demorei… até que um dia me lembrei que poderia recorrer a uma pessoa amiga que vive no Brasil e que um dia me convidou a “pilotar o fogão” numa churrasqueira bem ao nível do chão. Fiquei muito atrapalhado. Estava a dar uma música do Zeca Pagodinho que parecia até (ele) que estava a gozar comigo. Resolvi por isso chamar a este prato – “Camarão Que Dorme A Onda Leva” – que foi a música que o lançou e que estava a dar nessa altura quando resolvi enfrentar o fogão...



Ingredientes

   

 

 

 

 

 



Preparação


 

 

 

 

 

 

Aspecto final ( 1 ) 
Usar um pouco de coentro em grão e amassar no almofariz ( 2 ). Juntar pimenta do reino a gosto ( 3 ).  Juntar a pimenta árabe e a paprica doce ( 4 ) , tudo a gosto mas em quantidades iguais. Moer tudo no almofariz ( 5 ).
Quanto ao camarão ( 6 ) tem de ser do cinzento, tamanho médio e não pode ser do congelado. Não esquecer de tirar o que lhe pode dar mau gosto – ver detalhe em ( 6 ).
Do camarão aproveita-se tudo. Cabeças, cascas e rabos tudo deve ser posto num recipiente ( 7 ) para depois se fazer um caldo. Entretanto salgar um pouco o camarão ( 8 ), juntar sumo de duas rodelas generosas de abacaxi ( 9 ) que é mais ácido que o limão mas deixa um sabor mais refrescante. Misturar bem o sal e o li mão no camarão ( 9 ) e ajeitar tudo muito bem ( 10 e 11 ). De seguida tapar com um pano ( 12 ) e deixar a marinar por umas 2 horas.


 

 

 

 

 

 

Pegar nas cabeças e em todas as cascas guardadas do camarão e verter para dentro de uma “super panela com coador “ ( 13 ), cheia de água ( 14 ), tapar (15 ) e deixar ferver, ferver, ferver…
Enquanto isso começa-se a fazer o molho que vai servir de tempero ao camarão. Para isso, deitar numa panela larga, esmaltada ( 16 ) um pouco de óleo ( 17 ), juntar duas cebolas de tamanho médio previamente picadas ( 18 ) e juntar uma mação também devidamente cortada em pequeninos pedaços ( 19 e 20 ). 
Deixar refogar ( 21 ) não esquecendo de ir mexendo para não queimar ( 22 ). Sentir o aroma  deste preparado que começa a prometer um camarão bem temperado. Para isso, pegar no almofariz em que foi feita a mistura das pimentas e da paprica e juntar um pouco dessa mistura do almofariz ( 23 ), ao conjunto deste refogado ( 24 ) continuando a mexer por mais alguns instantes.

 

 

 

 

 

 


Desligar o fogo quando o refogado estiver pronto. Este refogado ( 25 e 26 ) é o tempero para o molho.
Para fazer o molho propriamente dito bater no “liquidificador” as rodelas de 6 tomates italianos ( 27 ) até ficarem bem batidos ( 28 ). De seguida desengatar a jarra do suporte e verter ( 29 ) e verter o molho do tomate ( batido)  para dentro da panela em que está o refogado ( 30 ). Reacender o fogo e mexer bem ( 31 ). Poucos instantes depois, juntar e distribuir lentamente um fio de vinho tinto seco na mistura do molho com o refogado. Antes disso baixar o fogo. Este é um dos segredos da receita ( 32, 33, 34, e 35 ). O vinho tem que ser seco. Não pode ser adocicado.
De seguida levantar e baixar o fogo durante uma hora, intervalando a subida e a descida do fogo de quarto em quarto de hora e sempre que o fogo estiver alto  nunca deixar de mexer para não queimar e manter um bom aspecto ( 36 ).
Segundo segredo. Muito importante. Juntar uma pitadinha de açúcar ( 37 ) no molho do refogado ( 38 ) quando ele estiver bem quente, a fervilhar.
Vamos agora voltar à “super panela com coador” com o caldo para o macarrão ( 39 ).

   

 

 

 

 

 

 

 

Depois de quase duas horas de fervura dentro da “super panela”, as cascas e cabeças do camarão já produziram um caldo. Está na hora de tirar a parte do coador e assim retirar todos os restos das cascas e cabeças do camarão ( 40, 41, 42, 43 ) ficando só o caldo ( 44 ). Não esquecer de entretanto e, de vez em quando, ir mexendo o refogado com o molho que está ao lao, ao lume ( 45 e 46 ).
Chegou a hora de tornar a pegar no camarão que estava a marinar no sal e no sumo de abacaxi ( 47 ). Destapar ( 48  e  49 ). Descascar (50 ) e picar ( 51 ) mais um pouquinho de cebola e numa frigideira esmaltada ( 52 ) juntar um pouco de óleo ( 53 ) e deitar nela a cebola picada ( 54 ) para fazer um refogado para o camarão.

 

 

 

 

 

 

 


Mexer bem o refogado para o camarão ( 55 e 56 ). Juntar também um pouco de alho picado ( 57, 58 e 59 ). Em seguida juntar então o camarão ao refogado de óleo , cebola e alho ( 60 ), mexendo lentamente e pouco. O camarão não precisa ser muito mexido. Mexer mas com muito cuidado ( 61, 62 e 63 ), nem convém, para evitar que se comece a desfazer e se comece a estragar o aspecto final. No entanto, com muito cuidado deve ser virado pelo menos uma vez na frigideira.Para aromatizar e dar mais um pouco de gosto juntar pedacinhos de coentro ( 64, 65, 66 e 67 ). Quem não gostar de coentro pode substituir por salsinha. 
Chegou então a hora de juntar o camarão ao molho com tomate que preparámos anteriormente na panela ( 68 e 69 ).

 

 

 

 

 

 

 


Depois de acabar de deitar todo o camarão da frigideira para o molho de tomate preparado ( 70 e 71 ) chegou a hora de tornarmos a destapar a “super panela”  ( 72 )  onde está o caldo de camarão ( 73 ). Para dentro desse caldo fervente vai então meter-se o macarrão ( 74, 75, 76 e 77 ) inteiro. Esse é um detalhe importante – não deve partir-se o macarrão ao meio. Ele cabe inteiro e na vertical na “super panela”. Juntar um pouco de sal ( 78 ).
Mais uma mexida no molho com o camarão ( 79 ) e o macarrão está em pouco tempo pronto para ser retirado da “super panela” ( 80 ) e posto em dois pratos ( dose para duas pessoas ( 81 e 82 ). Sobre o macarrão deitar então, com uma colher ( 83 ), o camarão com o molho, cuidando-se já ( 84 ) do aspecto final.

 

 

 

 

Terminando a receita…
Para completar a apresentação do prato juntar pedaços de queijo “gorgonzola” ( 85 ), ou, em vez dele, e para quem não gostar ( como é o meu caso ) substituir o malfadado queijo por noz moscada.  Acabar a decoração do prato a gosto juntando talvez uma folhas de manjericão fresco. Sugestões em ( 87 e 88 ). No entanto não esquecer que macarrão sem ser acompanhado com um fio de azeite “do bom” não procede. É “fundamental”.
Em ( 90 ), o aspecto final do prato – “Camarão Que Dorme A Onda Leva”, uma homenagem minha ao Zeca Pagodinho que completa agora 50 anos de carreira.
Detalhe importante – este prato dever ser comido com garfo e colher. Deve ainda, se possível, ser cozinhado ao ar livre, e, particularmente se se quer terminar bebendo algo forte não convém que existam desníveis do terreno. Sobre este último ponto não existem imagens disponíveis!


O Último Retornado

O meu encontro “virtual” com a Cris aconteceu pelo facto de lhe ter chamado a atenção numa livraria um livro escrito por mim e em que a “sinopse” referia que eu tinha nascido em Benguela. Benguela, Angola. A terra da Cris.   Este livro tem-me trazido muitas alegrias e palavras que há muito precisava ouvir.
Através dele reencontrei pessoas que cresceram comigo.
Através dele pude revelar uma história que sendo verídica e trágica me levou a aprender muito sobre a vida.
Com os mais velhos encantei-me pelas suas palavras afáveis e regressos emocionantes aos dias que vivemos em África.
Com os mais novos tenho-me surpreendido pela curiosidade que demonstram por este romance que vivi.

Como sempre não posso uma vez mais deixar de te agradecer à Cris este convite. As tuas provas são sempre “Provas de Fogo” e estava a ver que desta vez não ia conseguir superar.
Quero deixar aqui duas coisas – o registo do meu profundo reconhecimento, gratidão e admiração por todas as tuas iniciativas e, em segundo lugar e por último, solidariarizar-me com todos os outros  ( e outras ) participantes deste “Escritores Na Cozinha…” que eventualmente se tenham queimado, ou mesmo aqueles que ainda lutam para sair dos cuidados intensivos. A todos o meu Abraço Angolano Solidário… “Unidos Venceremos”

P.S. – o meu agradecimento à Marilena, uma jovem e talentosa escritora Brasileira de 28 anos de Belo Horizonte, que teve o trabalho de repetir toda a receita fotografando passo a passo todos os detalhes. Recordar também que quando fomos buscar o “digestivo” – uma cachaça artesanal de “Três Pontas”, Minas Gerais e que eu aceitei com sabor a maracujá, me aconteceu um facto estranho. Fomos buscá-la a um apartamento, num 5º andar, a poucos metros da casa em que degustámos o “Camarão”. Na varanda desse apartamento tomei o primeiro gole da taça. No segundo seguinte fiquei com a sensação que se passasse a perna por cima do corrimão da varanda, seria capaz de pôr o pé no chão. No caso, na estrada. Tudo me parecia ao mesmo nível. Tinha até a sensação que seria capaz de sair “andando” por cima das copas das árvores. Foi o único gole que bebi de tal “cachaça”. Logo pousei a taça. Por isso recomendo, mesmo sem fotografias, que no caso de um digestivo forte, convém que além de ser ao livre, esta receita seja efectuada num terreno sem qualquer declive….

Júlio Borges Pereira